Réveillon no Rio

Para mim, o Réveillon sempre significava assistindo o TV para ver a bola de Times Square cair a meia-noite. Quando chegou o ano novo, pegamos panelas e colheres, corremos fora da casa no tempo gelado, e tamborilar e gritar “Feliz ano novo!”

O ano passado, Gustavo me falou sobre os fogos da praia aqui no Rio, ao qual respondi, “Serio?!” que era quase a mesma reação dele quando lhe perguntei, “Mas, você não assiste a bola de Times Square?” (“Qual bola?”)

Com curiosidade, pesquisei um pouco sobre as tradições do Réveillon no Rio porque ele me lembrou que a Nova York não é o centro do mundo para todo mondo (também se deve ser) e porque passaremos o Réveillon aqui para 2018. Descobri alguns fatos interessantes!

1. Todo Branco

A primeira coisa que eu percebi sobra o Réveillon no Rio, e no Brasil em geral, é que todo mundo usa roupas brancas. Nas semanas antes do Réveillon, todas as janelas das lojas no Shopping e na rua estão cheias de roupas brancas. Também no bairro de Ironbound, em Newark, NJ — que tem uma comunidade brasileira muito grande — se fosso como todos os donos das lojas tiveram um reunião para decidir “Basta! Não mais cor. Branco para tudo mondo.” (E talvez também, “Agora, compre estoque em Bleach.”)

A resposta básica porque todo mundo usa branco no Réveillon é porque simboliza a paz. Entretanto, a tradição tem raízes em Candomblé, uma religião afro-brasileira que honra a deusa do mar, Yemanjá, para Réveillon. Usando roupas das cores dela — brancas, pratas, e azuis — os seguidores dela lhe mandam presentes e flores através do mar para pedir bênçãos. A crença é se o mar mantenha os presentes, eles foram aceitos para Yemanjá. Se eles naufragaram, a deusa lhes rejeitou.

Fora da importância religiosa, o branco já se tornou a cor base para o ano novo e muitas pessoas a emparelham com uma cor acentuada para simbolizar uma esperança, uma aspiração, o um desejo especifico para o ano novo. A cor mais conhecida, por exemplo, é amarelo que significa um desejo para dinheiro. Azul significa paz. Vermelho ou rosa significam amor.

A Crossfit take on the various New Year’s colors.

2. O Verão na Praia

O primeiro dia do ano novo era quente, as academias eram fechadas, e nós decidimos ir para a praia para passear. Pouco que eu sabia que todo mundo teriam essa ideia também. Muitos visitantes na praia eram lá ainda das festas da noite anterior. Afinal, festas no Brasil não param até o sol nasce.

Tornou uma mistura interessante das pessoas vestidas todas em branco, com ressaco ou ainda bêbadas, famílias, criança, turistas, e trabalhadores limpando tudo da noite anterior. Entrando no metro também significava chegando na praia muito mais rápido havia tanto areia no chão!

3. Decisões, Decisões

O Brasil não tem uma cultura de planejamento, mas tem sim uma cultura da interação social. É uma mistura que torna o Réveillon no dilemma especial. Especificamente no Rio, tem várias festas as quais todo mundo quer ir para a melhor sem gastar o salário inteiro do ano que vem. Para mim, era engraçado ouvir as várias conversações sobre o que fazer para o Réveillon. No elevador, amigos e vizinhos perguntaram, “O que vocês vão fazer para Réveillon? Já ouviram dessa festa? Não consigo decidir.” As perguntas começaram em Novembro e duraram até o 30 de Dezembro.

Há uma vontade muito forte de passar a noite com amigos íntimos, festando bem o ano que vem. Ninguém quer ficar na casa, sozinho. E ainda, eu e o Gustavo fizemos exatamente isso.

Não tenho paciência para planejamento extensivo. Prefiro escolher qualquer opção só para decidir ou completamente cair fora do planejamento, dependendo da dificuldade do processo. Esse ano, estávamos falando sobre nossas opções e finalmente eu me tornei para o Gustavo — porque ele já era organizando tudo com nossos amigos e vizinhos — e disse, “Você sabe que podemos jantar num restaurante bom e fechar a noite com vinho na casa, né?”

Apesar de todas as novas tradições que eu descobri, fizemos exatamente isso. Jantamos cedo num restaurante maravilhoso. Tiramos um soneca. Convidamos alguns amigos para a casa. Jogamos um jogo de cartas. Bebemos champanha. E, felizmente para eu, assistimos pela TV minha bola querido do Times Square para dizer “Tchau” ao 2017.

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