Introvertida vs. Brasil

Gustavo não está no Rio comigo esta semana. Ele foi para uma viagem de trabalho o que significa que é a minha primeira vez no RJ sem ele.

Nos primeiros dias, eu aproveitei meu tempo sozinha, assitindo filmes classicos, acordando bem cedinho de manhã para praticar Yoga no nosso quarto, ir para a academia com os headphones ligados, 100% focada em mim. Entã chegou um momento da semana que eu tinha um momento livre para fazer algo – Qualquer coisa – e eu percebi que eu não tinha a menor noção do que fazer.

Então, eu amo fazer coisas sozinha. Viajo sozinha e ando por ai sem companhia, eu, eu mesmo e meus pensamentos. Isso me trouxe memorias de um dia em particular em Berlin – minha priemira viagem sozinha para um país que eu não falava nadinha do idioma – eu andei o dia inteiro, de um bairro para o outro vencendo meus medos com a minha camera. Eu amei cada momento.

Até na França e Espanha, Chipre e Canada, Austria e Hungria. Eu sempre achei um pouquiho de tempo todo dia para explorar sozinha. Eu sempre acredito que é importante explorar a cidade sozinha para realmente entender o local.

De qualquer forma, só foi quando fiquei sozinha uma semana no Rio que eu percebi quão pouco eu tinha para fazer aqui. E quanto pouco eu aprecio fazer isso.

Não vou esconder o jogo, de uma forma mais básica, o Rio não é uma das cidades mais seguras do mundo e isso é um problemão para quem gosta de explorar. Eu amo andar sem um destino em mente, mas isso só funciona em cidades com infraestrutura para garantir sua segurança e que você não vai estar 100% sozinha numa situção perigosa. Não, não importa o quanto sejamos mulheres independentes ou uma feminista que sou – algumas situações são simplismente perigosas.

A rede de grupos no WhatsApp tem mais informações úteis e alertas que a própria policia. Por lá você encontra uma rede de notícias e avisos; as pessoas compartilham incidentes que elas ouviram falar para garantir a segurança dos demais. Só de olhar nos grupos de Crossfit que eu estou agora, e a ultima mensage começa com: “Se você estiver indo para Jacarepaguá, tome cuidado.”, Houve um assassinato recentemente e o funeral pode gerar mais violencia, então vale ficar de olho.

É imprescindível que estas mensagens sejam olhadas com um pouco de cetismo, pois existem muitos avisos falsos, mas com certeza uma parte significativa é real. É uma adaptação para tenta proteger o próxim, e se você me perguntar com a minha mentalidade estrangeira, uma forma de conectar com as pessoas proximas sobre algo extramamente traumático e chocante, não importa quantas vezes isso aconteça.

Essa é a razão que o Brasil, em particular o Rio de Janeiro, tem uma cultura social tão forte. Força em números, e também a felicidade. Depende tanto do boca a boca que este toque pessoal extra é necessário quando existe tanta incerteza.

Os Cariocas valorizam mais do que qualquer outra coisa passar tempo juntos. Não consigo pensar na ultima vez que eu vi alguem bebendo sozinho em um bar, ou vendo um filme, ou até na academia. Porque você iria sozinho se você poder ter uma companhia. No passado, quando eu compartilho um evento ou uma festa que eu quero ir com meus amigos, a resposta era sempre sobre quem não pode ir, quais dias seriam melhores ou se talvez nao poderiamos achar alguma outra coisa nese dia. Ao mesmo tempo que eu estava pensando que agora eu sabia da agenda de todo mundo pelo próximo mês e pensando: “Okay, eu vou de qualquer forma porque esse é o dia que quero ir.”

Até as semanas antes da viagem do Gustavo, amigos e familha perguntavam, “Você vai ficar bem sozinha? Me avisa se precisar de algo, estou por aqui.”, por mais que eu adorasse esse sentimento de carinho, e também queria muito poder expressar o quanto eu queria ficar um pouco sozinha pela primeira vez – um pouco do bom e velho individualismo Americano.

Mesmo com isso tudo, meu desejo de passar tempo e fazer coizas sozinha é um problema no Rio de Janeiro. Se você não sabe se um restaurante esta aberto, é necessário mandar um WhatsApp para eles. Se você quer ir em uma trilha e não sabe se está segura, traga um amigo(a). Se você quiser ir nadar na praia, é legal chamar um colega para ficar de olho nas suas coisas enquanto você está pulando as ondas. Voltando de um novo bar a noite, volte em pares.

Algumas vezes eu fico frustrada com a expectativa de todos de sempre ser necesário fazer as coisas juntos. Mas ainda assim nessa semana eu fiquei completamente sozinha, e fiquei sentindo falta do conforto que tenho de estar junto. Uma reafirmação, uma proteção contra todas as coisas ruins que acontecem todos os dias. A vida é dificil no Brasil, a não ser que você trabalhe em equipe.

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